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… passagens, letras & asfalto

Hummm… Difícil escrever sobre nós mesmos… Mas se é um desafio, já é algo que eu gosto!

Bom, fotografa. Sim, sou. Mas não venho com aquele papo de “desde pequena meu sonho era ser fotógrafa…” ou “sempre fui a fotógrafa da família…” Não. Nada disso. Sonhava em ser bailarina, arqueóloga ou astronauta. Bem se vê que não cheguei muito próxima desse imaginário da minha infância… Rs…

É… hoje, aqui sentada e escrevendo, vejo que aquele papo de que “a nossa missão (o aprendizado mais importante) está mais no caminho que percorremos do que nos objetivos finais que traçamos ”, não é papo; é fato. Somos o que caminhamos. Esse caminho é a construção do próprio; do eu. Digo porque enquanto sonhava com essas profissões hoje tão distantes, eu escrevia… Enquanto me imaginava bailarina, eu desenhava isso… E foi escrevendo e criando, imaginando esses quadros da vida que cá estou… Profissão a qual amo: fotógrafa; maior prazer: escrever!

Creio que um ou outro leitor dessa matéria já deve ter visto, cá nas páginas do facebook e/ou blog do Coletivo Contorno (assim como nas redes sociais da equipe) um pouco do meu trabalho comercial. Para quem não o conhece, dirijo e coordeno essa equipe que leva o meu nome, e que está direcionada à fotos e vídeos de eventos e família, cobrindo mais especificadamente: casamentos, aniversários, batizados, noivados, ensaios, gestantes, shows, exposições. Aos interessados, deixo aqui os endereços para nos seguirem:

 INSTAGRAM: carolsalgadofotos

FACEBOOK: Carol Salgado Fotos

Mas… o que desejo abordar hoje, aqui, são os meus trabalhos autorais, para os quais desejo reservar mais tempo de dedicação, pois eles sim são os meus intervalos de respiro… Entre diferentes técnicas de fotografia (filme, revelação e ampliação), seguem alguns deles:

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FILÓ NO ASFALTO (Belo Horizonte, MG, Brasil, 2001)

*Técnica: filmes P&B (Tri-X 400 e T-MAX 3200), revelados e ampliados em laboratório P&B.

*Ensaio: através de dois personagens fictícios, abordei o tema encontros e desencontros, exaltando o cenário do centro de Belo Horizonte e da região da Pampulha, em suas composições por linhas, pontos e figuras geométricas. Em 2002, esse ensaio entrou em exposição nos seguintes espaços:

– Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes;

– Espaço Cultural Capela de Santa Cruz – Divinópolis – MG;

– Biblioteca Comunale – San Martino in Strada – Itália.

– Teatro alle Vigne – Lodi – Itália.

– Sale dell`Oratorio – Zelo Buon Persico – Itália.

– Sale Comunale “II Giardinetto” – Maleo – Itália.

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PASSAGENS (Belo Horizonte, MG, Brasil, 2003)

*Técnica: negativos P&B com interferência de objetos cortantes, em composição e ampliados em laboratório P&B, finalizados em banho de permanganato de potássio)

*Ensaio: com base em técnicas aprendidas em workshop com o fotografo Eustáquio Neves. A temática é a consequência estética do processo, pois a intenção é dizer que nada fica. Tudo passa. Por exemplo, o conteúdo do ensaio são fotos oriundas de um “cemitério de negativos”, os quais iriam para o lixo. Estes foram agredidos com objetos cortantes e, após por mim compostos sobrepostos ou não, foram revelados e ampliados. Já como fotos em papel fotográfico, foram banhadas em permanganato de potássio. Essa técnica proporcionou uma perda temporal do aspecto da imagem. Perda essa que pode ser entendida como ganho, visto quando o processo de apodrecimento e oxidação transformam a primeira imagem em uma nova, ao longo do tempo. Foram expostas em uma pequena exposição coletiva, na Escola de Belas Artes da UFMG, nesse mesmo ano de produção, durante a disciplina de mestrado “Lugares da Memória e Paisagens do Corpo”, da Professora Maria do Céu Diel.

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SOBRE AS CORES (Arraial D’Ajuda, BA, Brasil, 2003)

*Técnica: positivos (filmes investidos/ slides) revelados no processo C-41, ou seja, revelação como negativos fotográficos.

*Ensaio: a temática, aqui, também acompanha o processo de finalização das imagens. Melhor explicando, a intenção foi fotografar cenas de praias de Arraial D’Ajuda, já denunciando o clima de cores que naturalmente uma paisagem tropical oferece. Porém, o resultado final, através do processo C-41, seria intencionalmente coroar ainda mais esse meu tema, de realce das cores dessas cenas. Ainda com o aditivo maior e melhor: o da surpresa! Pois nesse processo nunca sabemos qual será a coloração exata e a composição dessa na imagem. O interessante desse ensaio é que delimitei o quadro inicial, mas não o final exato dele! A imagem final tomou cores próprias, independentes da autora da foto.

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IMAGENS CONTAMINADAS (Belo Horizonte, MG, Brasil, 2003)

*Técnica: fotos em digitais, diagramadas como cartas de um baralho.

*Ensaio: na leitura dos conceitos da disciplina de mestrado “Imagens do Pensamento – Pensamentos das Imagens” ministrada pelo Professor Marcelo Kraiser na Escola de Belas Artes da UFMG, em 2003, eu, juntamente com a também fotografa Kátia Lombardi fizemos esse ensaio como apresentação para a disciplina. A idéia foi observar as imagens urbanas e delas tirarmos todas as letras do alfabeto, montando um jogo onde cada carta é uma letra, lida pelos nosso olhos no cenário da cidade. Algumas imagens foram híbridas e culminaram em cartas as quais denominamos “coringas”. Assim, montamos um jogo no qual, através das letras, seriam montadas as palavras e os conceitos sociais.

 

Bom, no mais, deixo aqui alguns recortes de textos, ilustrando esse meu lado mais textual. São palavras que ainda não publiquei em um livro, mas para as quais pretendo tal destino!

“Não quero paraíso com anjos, mas asas em terra”. (Belo Horizonte, 30/09/2012)

 “Um dia andou com outras lentes, que nem aquelas grossas dos óculos do avô. Experimentou o mesmo bolo com outro gosto. Saiu de casa e estranhou seu passo… Nada de ‘usos indevidos.’ Era apenas amor em excesso”. (Belo Horizonte, 21/09/2015 – sobre a recente maternidade)

 “Sempre amei sorrisos. Mas nunca imaginei que encontraria num sorriso banguela a maior beleza que já vi”. (Belo Horizonte, 17/12/2015 – sobre a recente maternidade).

“Busquei, no escuro do quarto, um algo, um ato, um fato. Mas de algo, de fato e de ato, só mesmo um eu no quarto”. (Belo Horizonte, 08/01/2016).

 “Singela parei frente ao espelho. Calçava um chinelo, vestia uma camisola com bordas poídas e cabelos ao alto, num rabo frouxo. Tentei reconhecer aquela mulher, anos antes tão diferente. Tinha luz. Mas tb excesso de gordura, olheiras e cansaço. Formas diferentes exalavam toda dor e amor. O contorno do corpo contava a minha recente história.

De repente, algo se mexeu ao fundo daquele quadro. Tinha cor, rima e som. Virei e não mais era a imagem antes contemplada. Retomei meu posto, coberta de beleza e graça”.(Belo Horizonte, 20/02/2016 – sobre a recente maternidade).

 “Havia duas nobres damas. Uma de modo brusco, de dança frenética, ritmo em descompasso. A outra, leve e elegante. Dançava suave… Abraçava a primeira para essa repousar em seus braços. Queria ensinar o silêncio.

Indaguei o nome daquelas distintas senhoras. A primeira disse a mim “Vida! Por que quer saber o meu nome?” A segunda, docemente, respondeu: “Alma”. E me silenciou num abraço”. (Belo Horizonte, 26/02/2016 – sobre o falececimento Antônio Carlos Guimarães, meu tio).

 É isso aí, pessoal… Essa matéria é um pouco de mim!

 

 

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